Deixe a Rupi Kaur fazer você sentir

A melhor definição que encontrei para o livro “Outros jeitos de usar a boca” (em inglês Milk and Honey), foi: um livro que se resume a sentimentos.

Rupi Kaur, autora do livro, é indiana e vive no Canadá desde a infância, com seus pais e mais quatro irmãos. Além de escritora, ela também é artista visual de formação, e todas as ilustrações do livro foram feitas por ela. Empoderamento é o tema que mais gosta de abordar e se inspira em histórias e experiências das pessoas para escrever.

Linda não? 🙂

Kaur ficou conhecida antes da publicação de seu famoso livro, utilizando o Instagram e o Tumblr para divulgar os seus trabalhos. Em 2015 fez uma série fotográfica sobre menstruação, com o intuito de quebrar o tabu que existe sobre o tema. Por duas vezes teve uma foto da série excluída do Instagram. Foi no Facebook, com a mesma foto e a seguinte declaração:

“Obrigada Instagram por fornecer a resposta exata que meu trabalho foi criado para criticar. Vocês deletaram a minha foto duas vezes, afirmando que ia contra as diretrizes da comunidade. Eu não vou pedir desculpas por não alimentar o ego e orgulho de uma sociedade misógina que terá o meu corpo em uma roupa íntima, mas não está de acordo com um pequeno vazamento quando as suas páginas estão cheias de incontáveis fotos/contas onde mulheres (muitas menores de idade) são objetificadas, pornificadas e tratadas como menos que humanas.”.

Posteriormente o Instagram se desculpou, restaurando sua foto e alegando ter sido deletada por engano.

Tem como marca a maneira que escreve seus textos, pois não são utilizadas letras maiúsculas nem qualquer tipo de pontuação, exceto pontos finais, Rupi quis utilizar características de seu idioma nativo que é escrito desta maneira. Em outubro deste ano lançou seu segundo livro “The sun and her flowers”, que ainda não foi traduzido para português.

“Outros jeitos de usar a boca” foi o primeiro livro da escritora, publicado pela primeira vez em 2014, quando tinha apenas 21 anos. Já foram vendidos mais de meio milhão de exemplares pelo mundo todo. O livro é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

Uma das coisas que mais impressiona é a quantidade de emoção que uma pessoa tão jovem foi capaz de colocar nessas páginas, falando sobre amor, feminilidade, abuso, perda e trauma. Alguns dos poemas que li foram capazes de me fazer refletir por bons minutos e o mais incrível é que isso acontecia com os menores textos. Foi lendo este livro que tive mais certeza do poder que as palavras têm e do impacto que elas podem causar na vida das pessoas. É um livro com trechos muito fortes, provavelmente por serem muito reais. É rápido de ler, e capaz de fazer com que o leitor vá da raiva ao amor e da tristeza ao conforto em pouquíssimo tempo.

Foi difícil não transcrever o livro todo, mas deixei aqui alguns dos meus poemas preferidos do livro. Espero que gostem tanto quanto eu. Depois contem nos comentários o que acharam!

▪ A DOR ▪

“você tem dores

morando em lugares

em que dores não deveriam morar.”

“você me diz para ficar quieta porque

minhas opiniões me deixam menos bonita

mas não fui feita com um incêndio na barriga

para que pudessem me apagar

não fui feita com leveza na língua

para que fosse fácil de engolir

fui feita pesada

metade lâmina metade seda

difícil de esquecer e não tão fácil

de entender.” 

 

▪  O AMOR ▪

“não quero ter você

para preencher minhas partes vazias

quero ser plena sozinha

quero ser tão completa

que poderia iluminar a cidade

e só aí

quero ter você

porque nós dois juntos

botamos fogo em tudo.”

“você me tocou

sem precisar

me tocar.” 

 

▪  A RUPTURA ▪

“eu não fui embora porque

eu deixei de te amar

eu fui embora porque quanto mais

eu ficava menos

eu me amava.”

“eu tive que ir embora

eu estava cansada

de deixar que você

me fizesse me sentir

qualquer coisa

menos que inteira.”

 

▪  A CURA ▪

“a solidão é um sinal de que você está precisando desesperadamente de si mesma.”

“quero pedir desculpa a todas as mulheres

que descrevi como bonitas

antes de dizer inteligentes ou corajosas

fico triste por ter falado como se

algo tão simples como aquilo que nascer com você

fosse seu maior orgulho quando seu

espírito já despedaçou montanhas

de agora em diante vou dizer coisas como

você é forte ou você é incrível

não porque eu não te ache bonita

mas porque você é muito mais do que isso.”

A Rotina de Viver sem Rotina

Mais uma segunda-feira que chega: você acorda, vai para o escritório, bate o ponto e fica por lá até às 18h. Os seus chefes não estão preocupados se você está inspirado para trabalhar. Eles apenas querem que você produza (com vontade ou sem). Essa é a rotina de 90% das pessoas que eu conheço. Mas, por ser a maior porcentagem, significa que ela está certa? Óbvio que não.

É comum para quem possui profissões criativas ou para quem trabalha em home office, sofrer preconceito por não seguir estes padrões. Eu, particularmente, já me senti inferior muitas vezes por não precisar obrigatoriamente acordar cedo e sair para trabalhar. (Porque poder dormir segunda-feira de manhã e trabalhar apenas à tarde é coisa de “gente preguiçosa”, né?!) E, conversando com mais pessoas de diversos ramos, descobri que MUITAS pessoas se sentem assim também!

Foto por: Mihai Surdo

Então, se você é autônomo, trabalha em seu home office ou então possui uma profissão que depende da sua criatividade, vou listar aqui alguns motivos para você se sentir muito orgulhoso e satisfeito por isso:

  1. Você cria o seu horário de trabalho: Se você produz melhor pela manhã, não há nada de errado em acordar cedo. Porém, se você é mais criativo na parte da noite, por que não trabalhar das 16h às 00h?
  2. Não precisa se arrumar para trabalhar: Trabalhar o dia todo usando pijama. Tem coisa melhor? Sem salto alto, sem maquiagem… não preciso enfatizar o quanto isso é bom, né?
  3. Poder passear em horários improváveis: Fazer as compras do mês em uma terça às 10h da manhã. Ou então, passear no shopping durante a tarde. Além de sentir a maravilhosa sensação de liberdade, você ainda aproveita todos os lugares sem perder tempo em filas.
  4. Não precisa enfrentar trânsito: Engarrafamentos, trens lotados e a possibilidade de não chegar a tempo, simplesmente não existem quando se trabalha em casa.
  5. Liberdade: Você pode ouvir sua música favorita sem precisar de fones de ouvido! E o melhor: pode cantar junto sem parecer uma doida!

    Foto por: Jaroslaw Ceborski
  6. Não precisa lidar com chefes e colegas chatos: Todo mundo tem (ou já teve) um chefe ou colega de trabalho chatos.  O bom é que, trabalhando em casa, você não precisa lidar com nenhuma das duas opções 🙂
  7. Trabalhar com menos pressão e cobranças: Você pode trabalhar no seu ritmo, com os seus próprios prazos.
  8. Pausas: Você pode fazer pausas a hora que desejar. Seja para fazer um lanche, assistir a um filminho ou cochilar depois do amoço. Mas, claro, lembre-se de compensar esse tempo, mais tarde.
  9. Reservar um tempinho para se inspirar: Ao menos uma hora por semana, reserve um tempo para meditar, planejar seu futuro e criar metas. Outra maneira de se inspirar é assistir filmes, ouvir música ou conhecer algum lugar novo na cidade.
  10. Economia: Ao trabalhar em casa, você não precisa gastar com transporte, almoços em restaurantes, roupas de trabalho, aluguel, etc.

Mas, lembre-se: Trabalho é trabalho. Por isso, precisa de muita dedicação e compromisso. Não é por estar trabalhando em um ambiente confortável, que você está “de férias”. Nada de ficar dormindo e deixar o trabalho para amanhã, viu?! Com metas bem definidas, força de vontade e persistência, você chegará onde deseja 😉