Mulher, previna-se! (Outubro rosa)

Queridas leitoras! Hoje o papo é sério aqui no blog. Pra quem não sabe, Outubro foi eleito o mês internacional de prevenção e combate ao câncer de mama. Nesse período, vocês já devem ter notado que diversos veículos de comunicação colocam as suas principais imagens na cor rosa. Inclusive, nós também embarcamos nessa. Esse ato pode até parecer um pouco bobo num primeiro momento, afinal, vocês devem pensar: “o que de fato uma foto na cor rosa na rode social pode mudar no mundo?”. Pois bem, talvez a resposta inicial não seja muito animadora. Mas, como nós acreditamos muito nas pequenas atitudes em prol dos feitos maiores, e compreendemos que as imagens podem mexer com o inconsciente das pessoas, a gente também apoia essa causa. E se a imagem rosa no nosso perfil ao menos lembrar uma mulher apenas, de realizar os exames de prevenção, nós já ficaremos super felizes!

Para trazer um pouco mais de consciência e historias reais pra vocês, nós convidamos a Eloisa Navacosta (que é mãe da Verlisa), para fazer uma entrevista pra gente, e nos contar um pouco sobre como foi a sua experiência com o câncer de mama. Pra quem não sabe, já fazem mais de 15 anos que ela venceu a doença, e agora, vai nos relatar os principais desafios para que possamos ficar atentas também e nos prevenirmos. Vem conferir!

Pagu – Mulheres Criativas: Eloisa, como você descobriu que estava com câncer de mama, e quais foram os seus primeiros sentimentos/pensamentos?

Era final do ano de 1999, e eu havia comprado um sutiã com armação na parte de baixo. Esse tipo de roupa íntima havia acabado de entrar em moda na época, e resolvi experimentar também. Logo que comecei a usá-lo, senti um certo desconforto na parte de baixo do meu seio esquerdo. Apalpei a região mas não encontrei nada. Como eu já tinha o costume de fazer exames rotineiros de prevenção uma vez por ano, imaginei que esse fosse um bom motivo para retornar ao médico. Chegando ao ginecologista, ele também não encontrou nada que fosse aparentemente grave, e me perguntou se eu gostaria de fazer uma ecografia da região para ter certeza de que não havia nada estranho ali. Nesse momento (seja por sorte ou ação divina), eu optei em dizer SIM para fazer o exame. Foi quando naquela mesma semana mais tarde, descobri que se tratava de um câncer de mama. Duas semanas depois da descoberta, eu já estava em cirurgia para a retirada do seio.

No início, meu sentimento por incrível que pareça, foi apenas de questionamentos. Como o médico havia dado primeiro a notícia ao meu marido, e ele havia ficado realmente abalado, eu estava mais preocupada em consolá-lo, do que com a minha própria doença. Devido a minha pouco idade (estava com 36 anos na época), e o fato de que o câncer de mama não ser tão comentado como é hoje, eu acho que também não tinha muita ideia de como as coisas seriam. Eu sabia que era uma doença bem grave, e como o médico havia dito, 99% do meu seio já estava comprometido. Mas, mesmo assim, consegui me manter serena na medida do possível.

Pagu – Mulheres Criativas: Qual foi a parte mais difícil em ter essa doença? (Se é que é possível escolher apenas uma). 

Com certeza a parte mais difícil foi a quimioterapia. No meu caso específico, foram feitas 4 sessões de 21 em 21 dias, que duraram aproximadamente 4 meses. O efeito que os remédios causaram no meu organismo foram devastadores. Eu sentia muitos enjoos, tive feridas na garganta, tinha fome, mas na hora que ia comer, era como se nenhuma comida tivesse sabor. Tinham dias que eu me sentia muito cansada, como se uma gripe muito forte tivesse tomado conta do meu corpo. Era difícil até mesmo ficar em pé. Depois, veio a radioterapia, e as coisas foram um pouco melhores, mas também bastante estressantes. Foram 30 sessões ao todo, onde eu tinha que me descolocar todos os dias até Porto Alegre. Durante a radio, a pele da região fica queimada, e é necessário usar roupas mais leves e cremes, para que a pele não fique pior.

Pagu – Mulheres Criativas: Em relação a estética, como foi lidar com a perda do cabelo durante a quimioterapia, e também em relação ao seio? 

Eu nunca tive uma preocupação exagerada com a aparência, mas é claro que como toda mulher, você sente como se o seu “lado feminino” não existisse mais. Além de você estar com a cara abatida, cheia de olheiras e marcas em consequência dos remédios, você também se vê careca e sem um seio (no meu caso). Você se sente muito feia e fora dos padrões. Mas, como uma pessoa que perdeu um braço ou uma perna, eu acredito que não ter um seio é uma deficiência como qualquer outra. Ainda tem o lado bom que você pode disfarçar com enchimento no sutiã, e não ser alvo dos olhares das outras pessoas. Quem não sabe da minha história, não faz ideia que tenho apenas uma mama. Tem algumas pessoas que acabam reconstruindo depois, mas sinceramente, não quero mais mexer nessa região. Já passei por muita coisa, então esta bem viver assim.

Pagu – Mulheres Criativas: O que mudou na sua vida depois da doença? Como é a sua rotina de prevenção hoje em dia? 

Com certeza muita coisa mudou. Não apenas em relação ao meu corpo, mas principalmente, em relação a minha mente. Antes, eu me preocupava com coisas bobas, que depois da doença passaram a não ter mais tanta importância na minha vida. Passei a dar mais valor pra vida como um todo, e aproveitar os momentos.

Quanto a minha rotina de prevenção, depois que me curei 100%, fui fazendo um distanciamento aos poucos dos exames. Hoje em dia, minha rotina é normal, vou ao ginecologista e faço mamografia 1 vez ao ano, assim como é recomendável a todas as mulheres. Neste caso, é importante salientar que somente o exame do toque em casa não é suficiente para a prevenção completa. No meu caso, o que havia no meu seio eram calcificações malignas, e não nódulos (os famosos caroços). Ou seja, este tumor não era detectável pelo toque. Por isso, é sempre bom lembrar que é essencial ir ao médico pelo menos uma vez ao ano, para fazer exames mais completos e conversar com um profissional. 

Pagu – Mulheres Criativas: Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as mulheres que estão passando pela mesma situação que você, ou para as pessoas que estão próximas a alguém que esteja passando por isso? 

Acho que o principal é ter fé acima de tudo, e manter a mente sempre positiva. Em nenhum momento da minha doença eu pensei em morte, ou imaginei que isso pudesse acontecer. Eu sempre procurei me manter tranquila e positiva, apesar de tudo. Eu sabia que aquela era apenas uma fase pela qual estava passando. Algo que me ajudou MUITO foi começar a frequentar a Liga Feminina de Combate ao Câncer aqui da minha cidade. Lá eu encontrei mulheres que estavam passando pela mesma coisa que eu, e outras que já haviam passado e estavam totalmente curadas. Durante o tempo que estive lá fiz muitas amizades, passeios, e até mesmo recebi ajuda financeira para realizar exames. É muito bom se sentir acolhida assim, e receber carinho de quem entende o que você esta passando.

Caso você esteja passando por isso agora e lendo essa entrevista, meu recado é: tente sempre se cercar de pessoas e que realmente lhe coloquem pra cima. Não dê ouvidos a todo mundo, existem pessoas que vão lhe colocar pra baixo, mesmo que de maneira inconsciente. Dê ouvidos aos seus médicos e faço tudo o que eles pedem. Eles são profissionais e estudaram para isso, portanto, sabem o que estão fazendo.

Se você está próximo(a) de alguém que esta passando por esse momento, procure não falar de exemplos ruins, ou de pessoas que morreram por causa do câncer. Também não tenha pena da pessoa doente, simplesmente AJA NORMALMENTE. É claro que não se deve ignorar o fato, mas, tente não ficar falando somente sobre isso, ou procure trazer exemplos positivos para a pessoa. O que uma pessoa com câncer mais precisa é de apoio, e sentimentos positivos incondicionalmente, seja alguém assim. ❤

E aí, o que acharam da entrevista com a Eloisa? Que história não é? Devemos lembrá-las também que até hoje os médicos ainda não descobriram o que realmente causa o câncer. Segundo dados do INCA, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, depois do de pele do tipo não melanoma, correspondendo a 28% de casos novos a cada ano. E nos homens, são 1% do total de casos da doença.

No entanto, ter uma vida saudável e equilibrada (fisicamente e mentalmente) é fundamental para o não surgimento de qualquer tipo de doença. Mesmo assim, ter um câncer (seja de mama, ou de qualquer outro tipo), não é o fim do mundo. Hoje em dia, e cada vez mais, as tecnologias estão aí para nos auxiliar na cura de diversas doenças, o importante, acima de tudo, é nunca perder a esperança! 😀

Já sabe como fazer o autoexame? Veja a dica abaixo!