Afinal, o que é arte?

Falar sobre o que é ou o que significa arte é algo muito complicado. Eu diria até, que é um ato que exige coragem e uma certa ousadia. Durantes décadas e décadas, diversos pesquisadores e teóricos tentaram definir, em palavras, o que seria essa “atividade” tão diversa e misteriosa. Coloco “atividade” assim entre aspas, pois a arte está muito longe de ser somente isso, talvez, não esteja nem perto disso.

Anna Kolosyuk

Com o passar dos tempos, estes diversos autores foram compreendendo que talvez a arte não tenha apenas um único significado. E mais, que ela talvez seja algo tão abrangente que a nossa mente lógica é incapaz de catalogar e decifrar de maneira tão simples.

Mas, o objetivo desse texto não é colocar a arte em um patamar acima de nós. Antes de mais nada, ao meu ver, a arte só existe porque nós estamos aqui antes dela. Fomos nós, seres humanos, que começamos a expressar nossos pensamentos e emoções por meio das paredes das cavernas, quando ainda nem se quer havíamos desenvolvido qualquer tipo de linguagem escrita ou falada.

Arte rupestre de caverna francesa de Chauvet (uma dos mais antigas do mundo)

Desde os primórdios da humanidade, o homem vem desenvolvendo inúmeras formas de expressão. Mas, dizer que a arte é APENAS um meio de expressão, também é algo muito limitado, porque com certeza ela também é mais do que isso.

Apesar de todas as limitações na hora de definirmos o que é ou não arte, alguns pesquisadores chegaram em um consenso na hora de criar conteúdos que atendam a esta vasta e densa pergunta. Um livro que explica de forma muito clara e objetiva isso, é o livro “O que é Arte?”, do autor Jorge Coli. Esta “pequena-grande” publicação de apenas 131 páginas, traz de maneira bem sucinta, os principais aspectos que norteiam o significado da arte. Aliás, para quem tiver mais interesse e quiser ir mais a fundo no estudo, é possível baixar o livro em PDF na internet.

O que é Arte, de Jorge Coli

No livro, o autor aborda justamente a questão a respeito da diversidade de significado que a arte possui. E que ao longo dos tempos, estas respostas vão se modificando também. Atualmente, lugares como museus e instituições estabelecem, em sua maioria, o que vem a ser, ou não, arte. O autor comenta:

“Arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo. (…) Se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas.” (p. 8)

Samuel Zeller

Apesar de todos estes questionamentos na hora de definirmos o que é ou não arte, é verdade que ela é a grande responsável por ampliarmos a nossa consciência, nossas capacidades de analisar, pensar e acima de tudo SENTIR. Quando falamos de arte devemos deixar o intelecto de lado e simplesmente nos lançarmos em busca de algo que a nossa racionalidade é incapaz de decifrar. 🙂

Colaboradoras #2: O Artista, por Morgana Luz

Artista é uma porção de coisas antes de ser artista. É carregador de carga, caixa de super mercado, advogado, marceneiro, bancário, catador de latinha, contabilista e caçador de estrelas. Tem artista em todo o lugar, exercendo as mais diversas atividades, por gosto, por afinidade ou por necessidade. Raros são os que nascem, vivem e morrem artistas, sem experimentar o “cárcere cotidiano”. 

Muito se fala sobre a falta de espaço para o artista na sociedade atual, sobre como esse artista é visto pelo público que precisa cativar e como se  manter artista. O tanto de resistência que existe em cada um de nós é o que vai determinar o quanto de valor damos a própria arte. Queremos respeito, ser valorizados e espaço nos meios. Mas,  o que fazemos para conquistar este espaço? Que lugar nós ocupamos na nossa vida como artistas e o quanto assumimos esta responsabilidade?

Alguns falam sobre o modo como são tratados e como as pessoas descartam a arte. Porém, eu arrisco dizer que nós artistas, precisamos resistir mais. A partir do momento em que impomos o nosso valor e, por que não, o nosso preço, dizemos que SIM, se vive de arte. E que a arte vale alguma coisa.

Mas, neste ponto  existe um outro tipo de resistência. Se luta para que a arte seja valorizada e vista de outra forma – como mecanismo de regaste, de exteriorizar sentimentos e de compreender  o lugar em que se vive – , mas, se pouco vive isso e por inúmeros motivos. Um deles é o egoísmo.

Se faz arte pra quê? A arte, em si, é egoísta. Fazemos arte para satisfazer o que queremos dizer ao mundo, mas pouco se escuta. É preciso refletir sobre o nosso papel e o quanto ele pode impactar a vida das pessoas e de que forma isso é possível  e transformador dentro da própria arte. Como aquela pintura vai mexer no íntimo do meu espectador? Como a música chega aos ouvidos de quem não ouve nada? Como quem não vê vai enxergar  o que eu quero dizer? Questões para se refletir…

Mas, e agora, como organizar o meio exato da força? É preciso desligar o sensor dos sentidos e dos sentimentos? Não sei. Acredito que seja possível empreender no meio criativo, com base em alguns estudos, podendo assim nortear e sistematizar o caminho a ser seguido. Como se organizar financeiramente, em que investir no campo da arte e como desenvolver o potencial, atendendo ao seu público alvo, são áreas do meio empreendedorismo, mas que não devemos abrir mão se quisermos realmente ser donos do nosso caminho. Talvez não se tenha o “tino” para esse lado tão exato, porém, ele precisa ser desenvolvido, a duras penas, se for o caso.

Nem tudo são flores. Nem sempre elucubraremos 24 horas por dia. São necessários minutos, horas de planejamento e, talvez, um certo esforço nesse sentido, porque correr atrás de estrelas e imaginar universos é muito bonito, mas é incrível poder inspirar pessoas, através da realização dos nossos sonhos.

Como superar o medo de fracassar?

Quando estamos iniciando uma nova fase em nossas vidas, ou um novo projeto, é muito comum que tenhamos medo de fracassar. Não adianta. Você pode ser a pessoa mais feliz ou mais bem resolvida do mundo, vai chegar aquele momento em que o seu coração irá acelerar e sua mente questionará: Será mesmo que sou capaz?

Nesse texto aqui, eu havia comentado sobre a minha ansiedade e a síndrome do pânico que me acompanharam fortemente no ano de 2016. Como eu comentei, não foi fácil, e continua não sendo. Apesar de eu já estar 100% “curada”. Escrevo “curada” entre aspas, porque não existe cura para ansiedade ou síndrome do pânico.  Apenas, temos que aprender a conviver com isso, reparando no nosso corpo e cuidando da nossa mente.

Com a nossa sensação de fracasso é a mesma coisa. Faz parte da natureza humana nos sentirmos inseguras de vez em quando. O que importa nesse momento, não é a sensação que você tem, mas sim, o que você fará com isso. Você vai escolher sentir pena de si mesma e aceitar essa sensação? Ou você vai levantar do sofá e fazer alguma coisa a respeito?

A maneira como nos portamos diante dos nossos problemas, nos dizem muito sobre quem somos. Por mais que você seja uma pessoa que tem tendência a reclamar e questionar tudo (e olha que eu já fui muito assim), você pode mudar a sua postura aos poucos. Aos invés de ficar o tempo todo se perguntando “será mesmo que sou capaz?”, tente mudar a frase para: “De que forma eu serei capaz?”.

A verdade é que não existe um modo de burlar a sensação de fracasso, mas, você pode arrumar maneiras de não se deixar abater tanto com isso. Está sentindo que não vai dar contar? Silencie os seus pensamentos. Se puder, medite. Essa é a melhor forma de deixar os sentimentos e pensamentos ruins para trás. Supere o fracasso da maneira mais óbvia e mais simples possível: vivendo.

Jornalismo, cultura e mulheres: Clarices e Marias

Nós adoramos trazer bons conteúdos para vocês, ainda mais se envolverem mulheres, cultura e arte. Hoje, gostaríamos de apresentar um site pra lá de sensacional. Estamos falando do Clarices e Marias, um blog voltado para mulheres que brilham em nossa sociedade.

O Clarices e Marias foi criado pela jornalista e produtora de conteúdo Michelle Lopes. A Michelle sempre curtiu trabalhar com jornalismo cultural, e foi graças a esse projeto que ela pode dar asas a essa paixão. O nome do blog é uma referência a música O Bêbado e o Equilibrista, eternizada pela voz da cantora Elis Regina.

Por lá, você poderão encontrar mulheres conhecidas e também desconhecidas, que fazem a diferença no nosso mundo. Tem dica de livro escrito por mulheres, poesias, textos profundos, reflexões, opinião, feminismo, dicas culturais, e muito mais. Vale muito a pena a leitura!

Para ajudar a compartilhar alguns de seus textos maravilhosos, separamos aqui alguns que achamos ótimos, vem conferir de perto:

 ▪ #LEIAMULHERES: 12 AUTORAS NEGRAS PARA LER EM 2018

 ▪ O QUE EU GOSTARIA QUE MINHA MELHOR AMIGA ESPERASSE DE UM RELACIONAMENTO 

▪ #DIÁRIODEUMCORPO: UM RELATO SOBRE TRANSTORNO ALIMENTAR, COMPULSÃO E ACEITAÇÃO

▪ “MULHER NO CINEMA”: LUÍSA PÉCORA E A CELEBRAÇÃO DO PAPEL DA MULHER NA SÉTIMA ARTE

▪ FEMINISMO E SORORIDADE: 10 PERFIS EMPODERADORES PARA SEGUIR NO INSTAGRAM

Bora conhecer e seguir o Clarices e Marias? 🙂

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Sobre trabalhar com o que se ama | Parte 1

Quem nos acompanha aqui pelo blog, sabe que estamos sempre falando sobre trabalhar com o que se ama. Adoramos dar dicas para quem deseja chegar “lá”. Porém, sabemos que esse “lá” nem sempre é tarefa fácil. Ao menos que você tenha “nascido em berço de ouro”, essa é uma condição que necessita planejamento e empenho constantes.

Se você chegou até esse texto, é provável que você esteja infeliz no seu atual trabalho, ou então, em dúvida sobre que caminho tomar.  Atualmente, cerca 72% das pessoas estão insatisfeitas com os seus trabalhos. É muita gente deprimida nesse mundo, não é? 

Sou realmente infeliz no meu trabalho?

Sentimentos como a tristeza são muito comuns e nós realmente sabemos quando estamos sentindo. Não tem como estar “meio triste”, ou você está triste ou não está. Vejo diariamente milhares de pessoas reclamando dos seus empregos, porém, vejo poucas pessoas realmente fazendo alguma coisa para mudar esse cenário.

Se você trabalha em uma empresa e não está satisfeita com a sua atual situação, seja por qual motivo for, pergunte-se: eu realmente estou infeliz aqui? Qual o motivo? É algo que está ao meu alcance melhorar, ou não? Existe algo que eu possa fazer agora para que as coisas que não gosto melhorem? Eu realmente não gosto do que faço ou apenas não gosto do ambiente? Pense, reflita, busque estas respostas dentro de você.

Vivemos tempos em que o conhecimento está apenas a um clique de nós. A internet chegou para mudar completamente o nosso modo de viver e de trabalhar. Se antes, era muito mais difícil para um artista vender a sua arte, hoje com a internet, tudo ficou muito mais simples e prático. Porém, essa facilidade pode ter dois lados.

De um lado, temos milhares de novas ofertas, pessoas que se descobriram empreendedoras, abrindo diversas lojas, criando novas concepções, novas artes, pensamentos, novas formas de viver e trabalhar. Porém, do outro lado, temos também uma concorrência muito maior e consequentemente, alguns trabalhos de pouca qualidade. E é diante desse problema que surgem os famosos coaches e gurus que vendem “fórmulas mágicas e milagrosas”, sobre felicidade no trabalho e estilo de vida perfeitos. Além de muitas vezes estarem totalmente equivocados sobre o assunto, é importante lembrar que nem sempre o que deu certo para uma pessoa, poderá dar certo para você também. 

O intuito desse post não é fazer você desanimar, caso esteja buscando um trabalho com mais amor. Mas sim, fazer com que você reflita sobre os seus reais valores e propósitos. Não tem problema nenhum você ser uma pessoa que trabalha em um escritório das 8h as 18h e bate ponto todos os dias, se isso realmente lhe completa. Quando estamos falando de trabalho, nem sempre é somente a felicidade que importa. Não tem problema nenhum trabalhar em uma grande empresa corporativa. É possível crescer pessoalmente e profissionalmente, trabalhando tanto para si mesmo quanto para os outros.

“Invista em autoconhecimento e descubra o que realmente lhe faz completa.” 

Essa é a minha super dica para quem realmente ainda está em dúvida, se deve continuar investindo no trabalho que tem, ou se deve ir em busca de algo que preenche mais o seu coração. A verdade é que a maioria das pessoas não se conhece, e por isso fica andando em círculos quando o assunto é amor no trabalho. O que quero é lhe fazer pensar, pois trabalhar com o que se ama pode ser MUITO bom sim! Mas, pode ser também um beco sem saída quando você tem uma família grande para sustentar, milhares de contas pra pagar e vários outros percalços (principalmente financeiros) pelo caminho. Nós defendemos o trabalho com amor sim, mas sempre com consciência e significado. 

Caso realmente encontre respostas negativas depois de se analisar e se conhecer melhor, então está realmente pode estar na hora de você mudar. Esse pode ser o momento de buscar novos ares, e quem sabe iniciar uma jornada em um busca de um novo trabalho com mais propósito e significado. Aquela rotina diária que você vai amar, e que apesar do cansaço e dos dias dias difíceis, vai saber como contornar cada situação e tirar o seu melhor dela.

Na parte 2 desse post, eu vou falar sobre os passos que você pode tomar, caso realmente queira trabalhar com aquilo que mais ama. Até lá! 😉

Afinal, o que é empreendedorismo criativo?

Se você vem acompanhando nossas postagens aqui no blog, ou nas redes sociais, certamente já percebeu que a principal característica do nosso projeto é levar conteúdo inspirador e de significado para as diversas empreendedoras criativas existentes nesse mundão. São milhares de mulheres cheias de ideias e empreendimentos únicos. Mas, agora eu lhe pergunto: você realmente sabe o que é empreendedorismo criativo? 

Resolvi fazer este post para explanar de forma simples e objetiva o que é o tal do empreendedorismo criativo. Caso você nunca tenha ouvido falar do termo, ou está acessando o nosso blog pela primeira vez, saiba que este setor vem crescendo cada dia mais, assim como a economia criativa como um todo.

Mas calma aí, vamos por partes! Não precisa arrancar os cabelos caso você não tenha entendido nada do que eu escrevi. Eu explico tudinho, vamos lá!

▪ O QUE É ECONOMIA CRIATIVA?

A economia criativa é aquela economia gerada a partir de negócios/carreiras que se utilizam de talentos, ideias, e criatividade das pessoas como matéria-prima na criação de valor pro mundo, através de produtos e serviços. Trata-de um conjunto de setores ou indústrias que consequentemente geram renda, e que incluem o cinema, a arquitetura, as artes cênicas, as artes visuais, conteúdos digitais, o design, a literatura, a moda, o artesanato, a música, a publicidade, entre outros. A economia criativa é fonte inesgotável de estratégias criativas e  de inovação nestes mais diferentes setores, e que podem ser aplicadas em qualquer negócio.

▪ QUAL A DIFERENÇA DA ECONOMIA CRIATIVA E AS OUTRAS ECONOMIAS CONVENCIONAIS? 

A grande diferença neste caso está na determinação do preço através criatividade. Ou seja, os produtos vendidos dentro da economia criativa e que geram valor, têm seu preço calculado com base na sua ideia em si, ou originalidade, e não em outros fatores. Eles carregam consigo essa “aura do artista”, um cuidado especial, e uma história. O que muito provavelmente você não encontrará em produtos feitos em larga escala, de grandes industrias e que na maioria dos casos, possuem a mesma cara.

Entendeu? Não é tão difícil né? Conhecendo um pouco mais sobre a economia criativa, a gente consegue entender também quem são e o que fazem os empreendedores criativos. No nosso caso, empreendedoras criativas, pois falamos especialmente para o público feminino.

Josefa Diaz

▪ O QUE É EMPREENDEDORISMO?

Numa visão mais simplista, podemos dizer que o empreendedorismo é o ato de iniciar algo novo, que ninguém vê. Trata-se da iniciativa de sair do sonho, e do desejo, e partir para a ação. Normalmente, é usado para designar as pessoas que trabalham de forma autônoma, ou que possuem uma empresa e que iniciam ideias na prática. (Fonte).

▪ AFINAL, O QUE É EMPREENDEDORISMO CRIATIVO? 

Agora você já deve ter entendido um pouco mais, que o empreendedorismo criativo nada mais é do que aquelas pessoas que trabalham colocando novas e criativas ideias em prática. Normalmente também, tratam-se daquelas pessoas que trabalham de forma autônoma ou possuem uma empresa que atua dentro da economia criativa, ou indústria criativa.

E aí, gostou das explicações? Ficou mais claro agora? Saiba que tem muita mulher legal por aí desenvolvendo trabalhos espetaculares dentro da economia criativa. Vale a pena entendermos como funciona esse mundo da criatividade. Espero que tenha gostado! Qualquer dúvida escreve pra gente! 🙂

Afinal, quem é? E o que faz um artista visual?

Muitas pessoas hoje em dia ainda me fazem essa pergunta: afinal, o que faz um artista visual? Resumidamente, um artista visual é a pessoa que produz e desenvolve trabalhos artísticos nos mais diversos meios: fotografia, pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo, entre outros formatos. No meio acadêmico o curso de Artes Visuais desenvolve “estudos teórico-práticos que inter-relacionam processos de criação nas diferentes linguagens e mídias artísticas, como desenho, pintura, gravura, escultura, imagem digital, videoarte e fotografia, além da investigação da arte na contemporaneidade”. (fonte).

Além dos estudos práticos, no curso de graduação os alunos também aprendem noções de história da arte, teoria e crítica, debates sobre arte contemporânea, museologia, estudos sobre a arte na sociedade, entre outras aprendizagens. Há também a modalidade de licenciatura do curso, onde basicamente existem as mesmas diretrizes, porém, este aluno ainda se forma capacitado a dar aulas no ensino formal básico. Ou seja, o bom e velho professor de artes. Salve, salve!

Foto por Igor Miske

É claro que a graduação é algo totalmente opcional em se tratando do artista visual, a não ser na modalidade de licenciatura. Como não existe nenhum órgão regulamentador que conduz a área, qualquer pessoa que queira tornar-se um artista poderá fazer, afinal, pra fazer arte qualquer um é livre né! Aliás, existe bastante debate em torno da figura do artista visual e das artes como um todo. Como é uma área muito ampla e controversa, é difícil catalogar tudo e designar significados. Assim como a área das ciências, da sociologia e da história, tratam-se de áreas de estudo muito abrangentes e que tratam-se de bens da humanidade. 

Eu gosto de indicar a graduação em artes visuais para aquelas pessoas que tem uma forte inclinação para o mundo artístico mas não sabem exatamente que caminho tomar ainda. Minha trajetória acadêmica já teve muitos altos e baixos (outra hora faço um post somente sobre isso), mas de certo modo eu sempre gostei de arte e sempre tive curiosidade de aprender um pouco mais sobre essa área. Quanto as questões mais formais de emprego e renda, como disse anteriormente, tudo é muito instável e incerto em se tratando de arte. É claro que sempre tem a opção de você fazer muitas exposições e ganhar dinheiro como artista mesmo, desenvolvendo uma linha de trabalhos que pode fazer muito sucesso. Mas, essa é uma equação bastante complicada e que requer muito empenho. Eu particularmente sempre tive que trabalhar pra pagar a faculdade e estudar a noite, o que torna tudo um pouco difícil, ter 100% do meu tempo para me dedicar a pesquisa e produção de obras de arte. Mesmo assim, há sempre a opção de você trabalhar dentro dos nichos também, como por exemplo eu que acabei migrando para a fotografia.

Foto por Khara Woods

Para finalizar o texto, devo dizer que sou suspeita pra falar sobre as artes visuais. Eu tenho uma paixão enorme por ela e acho que todos que estão principalmente na faculdade também tem. Devo dizer que é preciso coragem pra encarar um curso como esse e principalmente desenvolver obras de arte em uma época onde todo mundo só pensa no retorno financeiro. É claro que eu também me preocupo com isso e preciso de dinheiro, todos precisamos! Mas, escolher seguir uma carreira simplesmente por amor é uma sensação boa demais e que necessita culhões, hehehe. Sou muito feliz de poder fazer parte desse grupo, o resto a gente corre atrás. 🙂

Colaboradoras #1: “O caminho mais difícil”, por Morgana da Silva Luz

Pra iniciar com tudo a nossa nova categoria (pra quem não sabe do que estamos falando, clique aqui), um texto pra lá de especial de uma mulher criativa que já passou por aqui antes. Convidamos a Morgana para escrever pra gente, e ela topou na hora. Cheia de histórias, ela fez um compilado das suas vivências, misturadas com um gostinho de incentivo. Se você ainda não viu, ou não lembra do bate-papo da Mor, clique aqui para ver.  Boa leitura! 


“O CAMINHO MAIS DIFÍCIL “, por Morgana da Silva Luz

Foto por Matt Duncan

Eu escolhi o caminho mais difícil. Mas, CAAAALMA AÍ!

Primeiro: é um prazer escrever para este blog e projeto que tanto admiro! Gurias, vocês são SHOW!

Segundo: sim, o mais difícil.

Eu tinha 19 anos quando ingressei na faculdade de Artes Visuais, muito pela vontade de cursar fotografia e por uma certa aptidão e gosto pelas artes de modo geral.  Mas eu não sabia ao certo o que ia acontecer ou por qual caminho seguir. O meu trabalho atual não era a realidade nem o sonho daquele momento. Enfim, segui.

Tive alguns empregos no comércio até que ingressei na licenciatura. AÍ SIM, eu teria uma profissão. Porque, eu não sei se vocês sabem, mas ARTISTA não é profissão (risos irônicos). Depois de longos 6 anos, me formei. Então, comecei a atuar em escola e até aí tudo certo. SÓ QUE NÃO.

O Otília e Cristina Atelier de Criação era uma realidade já, há alguns anos, mas AQUELE empurrãozinho sempre faltou. Sempre tinha algum apoio, algum projeto, algum estágio que me segurava “nas escuras” do atelier. Viver de criação, de modo geral, requer MUITA paciência. E persistência.

Foto por Joe Shillington

Cara, tu dá de cara no chão algumas muitas vezes…. Mas eu tinha tudo! Tinha um espaço, tinha o talento, tinha a vontade e apoio de todos os lados.

Mas vai dizer que não é tri ter dindim caindo na conta todo mês?

Não é, quando se tem instabilidade emocional.

Dito e feito. Larguei a escola e optei por viver  o meu sonho, da forma mais intensa possível! O meu sonho? Bem, viver do que eu amo fazer, talvez seja o meu sonho. As coisas mudam muito na minha mente, mas sempre com foco no trabalho que eu desenvolvo.

Escolhi uma linha de trabalho. Fiz meus planejamentos. Guardei grana. Investi em divulgação. E TCHARÃM! Cá estamos, trabalhando com uma equipe LINDA, reformulando ideias e realizando sonhos.

Atualmente, aluguei uma casa para o atelier e eu acho incrível pagar aluguel! hahaha Calma, eu explico: viver de arte, em um país que acha que cultura é balela, saúdeeducaçãoeoescambal são desnecessários e artista é tudo vagabundo, é complicado. Mas não é impossível.

Eu acredito muito no ser humano. Acredito muito nessa gente que tem colocado a cara a tapas. Nas coisas que tem acontecido na minha cidade e nos arredores. Nas pessoas que acreditam no meu trabalho. E no trabalho que eu desenvolvo para  o mundo.

É preciso ter um propósito. Produzir em massa já é coisa do passado, apesar dos pesares. O que eu faço, exatamente, envolve gente, envolve amor, envolve criação e envolve, sobretudo, uma preocupação imensa em passar todo o carinho e respeito que temos pelo planeta.

Escolher  o caminho mais difícil, portanto, é difícil! Cada ser humano é um universo, e nós sabemos onde apertam os nossos sapatos.

Largar TUDO as vezes não funciona. É necessário dosar as possibilidades, planejar com cuidado e acreditar. Algumas pessoas vão dizer que não dará certo, mas existirão outras que apoiarão. O bacana é escutar os dois lados e ter bom senso para medir os riscos. Pode dar tudo errado. Mas você foi lá e tentou! Tentar, na verdade, não. Você CONSEGUIU. O prosseguimento dos projetos vai muito do quanto você se apropriou do assunto em questão, e do quanto você está preparado para possíveis tombos. E eles vão acontecer. O negócio é acreditar, perseverar e , se preciso, agir com resiliência!


Mude sempre que achar necessário

A vida é feita de mudanças. A Terra está em constante movimento, e o passado nunca mais voltará. Já dizia uma velha frase: “Mude, mas comece devagar. Porque a direção é mais importante que a velocidade”.  E eu concordo. E acrescentaria mais: mude quantas vezes achar necessário, porque você é o único dono do seu destino.  

Foto por Felix Russell-Saw

Nossa direção é sempre em frente, mesmo que estejamos preparados para isso, ou não. Muitas pessoas tem receio em mudar, mas se esquecem que a vida é feita de ciclos e recomeços. Mudar faz parte da vida humana, e em se tratando de relações isso fica ainda mais evidente, nada dura para sempre.

Eu nunca tive problemas em mudar, felizmente. Na verdade, minha dificuldade sempre foi permanecer estagnada. Ansiosa que sou, quero que toda mudança aconteça para ontem. Quando era criança, meu maior sonho era acordar todos os dias com o cabelo de uma cor diferente. Eu achava um máximo mudar todas os dias, e gostava ainda mais quando isso ficava evidente. Sou meio do tipo cameleão que vai se adaptando e mudando de cor por onde passa, e já fui bastante questionada por isso.

Foto por George Bohunicky

Mudar da trabalho. Mudar requer que estejamos dispostos a isso. Mudar cansa. Mas, mudar é necessário. E principalmente, requer levantar a bunda da cadeira e fazer algo a respeito do seu destino. Porém, esse texto não é pra falar somente disso, mas sim pra dizer também que você pode mudar tanto, e quantas vezes achar necessário, se isso irá realmente lhe fazer feliz.

Certamente as pessoas irão lhe criticar e lhe questionar a respeito disso. A maioria das pessoas não gosta de mudanças, porque mudar implica em deixar alguma coisa para trás, e muitas pessoas não estão preparadas pra isso. Mas, repito, mudar é necessário. No final de tudo, coisas muito boas acontecem porque você escolhe mudar.

Mude, mude de novo, mude sempre, mude quantas vezes achar necessário. Mas, esteja feliz com as mudanças, e mostre ao mundo como é bom ser assim também, se isso lhe faz bem.