O Círculo das Afluências, por Priscilla Oliveira de Souza

O estado do Amazonas é rico em biodiversidade. Sua fauna tão vasta, seus povos, sua cultura. Há também o Rio Amazonas e seus afluentes, que servem de inspiração pra muita gente. Entre elas, a nossa leitora Priscilla Oliveira de Souza.

Priscila é manauense, formada em Ciências Sociais pela UFAM, mas com um amor pela literatura que a acompanha desde pequena. Atualmente, está em fase de conclusão de seu mestrado, onde desenvolve a pesquisa intitulada “No círculo das afluências: variabilidades discursivas e percepções sobre os lagos Badajós, Piorini e Acará, município de Codajás, estado do Amazonas, Brasil”, que tem como objetivo investigar as possibilidades de deslocamento e mobilidade dos moradores que habitam o espaço social dos lagos citados.

Pisceli

Ao unir seu trabalho e conhecimento sobre os lagos, juntamente com seu amor pela literatura, Priscila descobriu seu lado poetisa, reunindo agora seus poemas no livro intitulado Círculo das Afluências, que terá sua publicação em breve.

O livro contará com 53 poemas, inspirados nas vivências da autora. Alguns poemas contam também com fotografias, registradas por ela durante seus trabalhos em campo.

Guias no brincar
Um olhar
Tanto a revelar
Imensidão de confidência
Nas vozes de pescaria
Criança eu revivia
Rotas de imaginar
Guias no brincar
Por entre caminhos de rio
Um lago a povoar
Quem conta uma história
Quem abre a memória
Quem mostra a direção
Quem demonstra a emoção
Por muito eu conseguia
Recriar nostalgia
De tempos em tempos
De completa alegria
Foi assim que eu encontrei
Respostas aos espaços
Compasso de relação amistosa
Interação de todas as horas
E assim ainda, eu, criança de outrora
Vejo inscrito em mim
Relatos que nunca vão embora.

Lílian, lago Badajós, outubro de 2007.

Céu e Água Barrenta
Quis habitar um rabisco
Quis revelar a morada
Palafita de pés bem formada
E de tudo o improviso
Céu e água barrenta
Casa minha
Casa benta
Falta isso e aquilo
Falta tanto a desenhar
Na casa em que habitamos
Mora sempre o imaginar

Casa no lago Piorini, abril de 2017.

Lindo o trabalho dela, né? Através do poema, a gente consegue se transportar pro lugar da foto, imaginando mil possibilidades para continuar a história. E, se você também quer compartilhar o seu trabalho com a gente, é só mandar um e-mail! Entre em contato!