Pagu – Mulheres Criativas

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É possível ganhar dinheiro com arte?

Durante muito tempo, vivíamos em uma sociedade que não via o artista como um profissional, mas sim um ser “iluminado” e que dispunha de conhecimentos que ninguém mais possuía. Estas pessoas levavam uma vida inteira para adquirir certas experiências e desenvolver os seus trabalhos. Além disso, até poucas décadas atrás, nossa sociedade teve que lidar com a escassez, seja em função de guerras, crises, falta de recursos, entre muitos outros fatores.

Porém, hoje em dia vivemos uma realidade muito diferente. Apesar de alguns problemas semelhantes, com o acesso a internet, ficou muito mais simples e prático obter conhecimento, além de mostrar nossos talentos e habilidades ao mundo. E isso inclui principalmente o campo da arte. Hoje, com apenas um clique, é possível divulgar o novo álbum da sua banda ou então as novas ilustrações produzidas. E que maravilha que é viver essa revolução!

Foto de Nik MacMillan

Graças a esse acesso quase ilimitado a uma série de conhecimentos, posso estar aqui agora escrevendo esse texto para você. Se fosse em outros tempos, certamente demoraria muito mais tempo para repassar essas informações adiante. É claro que estas facilidades possuem dois lados: de um lado temos a praticidade e agilidade a nosso favor, mas em contrapartida a isso também temos uma concorrência muito maior. Mas este já é assunto para outro post.

Então, você me pergunta: “Mas afinal, é possível ou não ganhar dinheiro fazendo ARTE?”. E eu lhe respondo: SIM! É possível sim! Porém, assim como em qualquer outra área, trabalhar e ganhar dinheiro requer muito estudo, dedicação e respeito com a profissão. Para ser um artista de renome e consequentemente ganhar dinheiro, você precisa antes de tudo, dedicar-se em tempo integral ao seu objetivo, fazer trabalhos com significado e que realmente agreguem valor a você a aos outros. Trabalhando exclusivamente para a sua arte e dando o seu melhor, certamente você será reconhecido, e consequentemente ganhará dinheiro com esse campo tão lindo e cheio de desafios.

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A Rotina de Viver sem Rotina

Mais uma segunda-feira que chega: você acorda, vai para o escritório, bate o ponto e fica por lá até às 18h. Os seus chefes não estão preocupados se você está inspirado para trabalhar. Eles apenas querem que você produza (com vontade ou sem). Essa é a rotina de 90% das pessoas que eu conheço. Mas, por ser a maior porcentagem, significa que ela está certa? Óbvio que não.

É comum para quem possui profissões criativas ou para quem trabalha em home office, sofrer preconceito por não seguir estes padrões. Eu, particularmente, já me senti inferior muitas vezes por não precisar obrigatoriamente acordar cedo e sair para trabalhar. (Porque poder dormir segunda-feira de manhã e trabalhar apenas à tarde é coisa de "gente preguiçosa", né?!) E, conversando com mais pessoas de diversos ramos, descobri que MUITAS pessoas se sentem assim também!

Foto por: Mihai Surdo

Então, se você é autônomo, trabalha em seu home office ou então possui uma profissão que depende da sua criatividade, vou listar aqui alguns motivos para você se sentir muito orgulhoso e satisfeito por isso:

  1. Você cria o seu horário de trabalho: Se você produz melhor pela manhã, não há nada de errado em acordar cedo. Porém, se você é mais criativo na parte da noite, por que não trabalhar das 16h às 00h?
  2. Não precisa se arrumar para trabalhar: Trabalhar o dia todo usando pijama. Tem coisa melhor? Sem salto alto, sem maquiagem… não preciso enfatizar o quanto isso é bom, né?
  3. Poder passear em horários improváveis: Fazer as compras do mês em uma terça às 10h da manhã. Ou então, passear no shopping durante a tarde. Além de sentir a maravilhosa sensação de liberdade, você ainda aproveita todos os lugares sem perder tempo em filas.
  4. Não precisa enfrentar trânsito: Engarrafamentos, trens lotados e a possibilidade de não chegar a tempo, simplesmente não existem quando se trabalha em casa.
  5. Liberdade: Você pode ouvir sua música favorita sem precisar de fones de ouvido! E o melhor: pode cantar junto sem parecer uma doida!

    Foto por: Jaroslaw Ceborski

  6. Não precisa lidar com chefes e colegas chatos: Todo mundo tem (ou já teve) um chefe ou colega de trabalho chatos.  O bom é que, trabalhando em casa, você não precisa lidar com nenhuma das duas opções 🙂
  7. Trabalhar com menos pressão e cobranças: Você pode trabalhar no seu ritmo, com os seus próprios prazos.
  8. Pausas: Você pode fazer pausas a hora que desejar. Seja para fazer um lanche, assistir a um filminho ou cochilar depois do amoço. Mas, claro, lembre-se de compensar esse tempo, mais tarde.
  9. Reservar um tempinho para se inspirar: Ao menos uma hora por semana, reserve um tempo para meditar, planejar seu futuro e criar metas. Outra maneira de se inspirar é assistir filmes, ouvir música ou conhecer algum lugar novo na cidade.
  10. Economia: Ao trabalhar em casa, você não precisa gastar com transporte, almoços em restaurantes, roupas de trabalho, aluguel, etc.

Mas, lembre-se: Trabalho é trabalho. Por isso, precisa de muita dedicação e compromisso. Não é por estar trabalhando em um ambiente confortável, que você está "de férias". Nada de ficar dormindo e deixar o trabalho para amanhã, viu?! Com metas bem definidas, força de vontade e persistência, você chegará onde deseja 😉

Qual será o futuro dele?
Sobre nossos medos e fraquezas
A palavra da vez é: consistência!

Mulheres Criativas #2: Morgana da Silva Luz

O dia era segunda-feira, 8 horas da manhã. Algumas pessoas podem ter problemas em estar bem dispostas nesse dia e horário, mas não a nossa criativa da vez. Ela nos recepcionou com um lindo sorriso no rosto, chimarrão pronto e bolachinhas coloridas a nosso dispor. "Eu acordo todo dia as 6h30min" ela disse. Está curioso(a) pra saber mais sobre ela? Então vem conferir o nosso bate-papo! 🙂

Pagu – Mulheres Criativas: Morgana, o que te motivou a escolher o caminho das artes como profissão? E como surgiu o Otília & Cristina Atelier de Criação?

Morgana: Tudo começou quando eu tinha 5 anos de idade. Minha irmã mais velha me ensinou a costurar com um arame (para que eu não me machucasse), e cresci vendo ela e minha mãe fazer diversos tipos de trabalhos. Depois, quando já era adolescente, fiz aulas de dança cigana e dava aulas na garagem de casa. Aos 17 anos comecei a vender os meus primeiros produtos artesanais. Foi então na mesma época que resolvi montar o ateliê. Meu pai cedeu um espaço na nossa casa onde dele costumava usar para fazer seus serviços de marcenaria, e juntos, eu e ele limpamos todo o local e arrumamos. O nome é inspirado nas minhas duas avós que nunca conheci, Otilia e Cristina. Gostaria muito de tê-las conhecido e sentir aquela sensação boa de ter as avós por perto. No total, já são oito anos de ateliê.

Pagu – Mulheres Criativas: Como é o seu trabalho e rotina? Você possui alguma formação?

Morgana: Minha rotina no ateliê é bem parecida com a de um trabalho como qualquer outro. Levanto todo dia cedo, faço minha caminhada, e logo em seguida estou pronta para criar. Sou graduada em Licenciatura em Artes Visuais, e também fiz pós-graduação em Gestão Ambiental e Consumo Sustentável. Meu trabalho no ateliê é basicamente focado no reaproveitamento de materiais (tecidos principalmente), com foco no consumo sustentável. Um tecido normalmente leva 400 anos para se decompor, e isso é muita coisa! Eu costumo ir até o local onde é feito o descarte dos tecidos na cidade e então reaproveito estes materiais.

Pagu – Mulheres Criativas: Você possui outro trabalho além do ateliê atualmente? Participa de algum projeto criativo ou tem alguma experiência que queira compartilhar conosco?

Morgana: Atualmente me dedico completamente ao ateliê. Faço a confecção dos produtos, participo de feiras, eventos, e de vez em quando dou aulas de iniciação à costura. Tive experiências com estágios e também dando aula de artes em escola formalmente. Apesar de ter sido uma experiência muito enriquecedora, fiquei bastante frustrada na época, pois não era o que realmente me fazia feliz. Comecei a ter problemas de ansiedade e não conseguia mais conciliar o ateliê com o emprego formal. No fim das contas, optei por largar a licenciatura e me dedicar exclusivamente àquilo que eu mais amo.

Pagu – Mulheres Criativas: Como é ser artesã? Você sente algum tipo de preconceito em relação à sua profissão? Acha que existe uma desvalorização da área criativa e artística em relação às outras profissões mais “convencionais”?

Morgana: Eu amo ser artesã! Mas, realmente, ainda existe desvalorização e preconceito, até mesmo entre os próprios profissionais dessa área. Ao invés de nos unirmos, às vezes sinto que as pessoas querem passar umas por cima das outras. Porém, acredito que estamos caminhando para dias melhores, sou uma pessoa bastante otimista nesse ponto.

Pagu – Mulheres Criativas: Nos fale um pouco mais sobre o projeto Nós de Amor, sobre o que se trata exatamente?

Morgana: O projeto Nós de Amor surgiu a partir do contato com a família da Dona Erica. Ela é uma senhora com problemas de visão que faz nozinhos em cordões para passar o tempo. Esses nozinhos são repassados a mim, que então os utilizo para confeccionar bonecas e chaveiros. Desde outubro de 2016 todo o dinheiro arrecadado é revertido a uma instituição de caridade. É possível acompanhar todo o desenvolvimento e repasse na página do projeto no Facebook.

Pagu – Mulheres Criativas: Você acha que a mulher sofre algum tipo de preconceito na sociedade como um todo? Se sim, quais?

Morgana: Sim, sofre vários. Dias desses estava no trem e vi que um homem ficou me olhando descaradamente e fiquei muito incomodada. Eu estava com uma saia abaixo do joelho (mesmo que isso não justifique), e ele ficou me olhando sem parar. Esse tipo de situação não deve acontecer mais. Por sorte, tenho uma família muito bacana e um pai que entende que homem e mulher são socialmente iguais. Tempos atrás ele me deu uma furadeira de presente e eu achei um máximo, qual o pai que faz isso hoje? (risos).

Pagu – Mulheres Criativas: Você participa de algum movimento que luta pelos direitos das mulheres? Você se considera feminista?

Morgana: Me considero feminista sim e sigo o movimento. Já participei de um encontro do grupo “Elas na Praça”, que traz bate-papos sobre diversos assuntos relacionados à mulher. Achei muito bacana e gostei bastante de participar. Acho que sempre é válido o diálogo sobre esse assunto.

Pagu – Mulheres Criativas: E dentro da área das artes, você acha que existe espaço para a mulher criativa? Como você enxerga a mulher principalmente na cidade onde mora? Há oportunidades e grupos de discussão?

Morgana: Acho que existem algumas oportunidades, mas é claro que sempre podem haver mais. Como disse anteriormente, precisamos ser positivos e acreditar que o setor criativo irá crescer cada vez mais. Juntos, precisamos nos apoiar para caminhar mais longe, principalmente as mulheres.

Pagu – Mulheres Criativas: Quais são seus planos para o futuro? Você quer continuar com o ateliê ou tem vontade de mudar?

Morgana: Quero continuar sim, amo muito o que faço! Tenho diversos planos, entre eles continuar expandindo o ateliê, intensificar as vendas, e até, quem sabe, futuramente contratar um assistente. Mas, sei que para isso tenho muito chão pela frente. Tenho outros projetos que também gostaria de colocar em prática, como continuar fazendo oficinas, feiras, dar aulas, parcerias, e quem sabe até comprar uma Kombi e sair pelo mundo fazendo oficinas itinerantes! Seria um máximo não?! (risos).

Pagu – Mulheres Criativas: Você tem algum conselho para as mulheres que querem seguir carreira no mundo criativo ou serem artesãs assim como você?

Morgana: Eu diria acima de tudo para que não desistam dos seus sonhos! Não queiram parar no primeiro "não". Não será fácil, e por isso mesmo vocês terão que trabalhar muito (quem sabe até mais do que um emprego “convencional”), caso queiram ter um resultado a longo prazo. Não tentem agradar a todos, e não tenham vergonha de divulgar o seu trabalho, estejam sempre em evidência. 💜

Para conhecer mais o trabalho da Morgana, acesse: Blog do ateliê Otilia & Cristina.

Redes Sociais: Facebook do ateliê | Instagram | Projeto Nós de Amor

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