Colaboradoras #2: O Artista, por Morgana Luz

Artista é uma porção de coisas antes de ser artista. É carregador de carga, caixa de super mercado, advogado, marceneiro, bancário, catador de latinha, contabilista e caçador de estrelas. Tem artista em todo o lugar, exercendo as mais diversas atividades, por gosto, por afinidade ou por necessidade. Raros são os que nascem, vivem e morrem artistas, sem experimentar o “cárcere cotidiano”. 

Muito se fala sobre a falta de espaço para o artista na sociedade atual, sobre como esse artista é visto pelo público que precisa cativar e como se  manter artista. O tanto de resistência que existe em cada um de nós é o que vai determinar o quanto de valor damos a própria arte. Queremos respeito, ser valorizados e espaço nos meios. Mas,  o que fazemos para conquistar este espaço? Que lugar nós ocupamos na nossa vida como artistas e o quanto assumimos esta responsabilidade?

Alguns falam sobre o modo como são tratados e como as pessoas descartam a arte. Porém, eu arrisco dizer que nós artistas, precisamos resistir mais. A partir do momento em que impomos o nosso valor e, por que não, o nosso preço, dizemos que SIM, se vive de arte. E que a arte vale alguma coisa.

Mas, neste ponto  existe um outro tipo de resistência. Se luta para que a arte seja valorizada e vista de outra forma – como mecanismo de regaste, de exteriorizar sentimentos e de compreender  o lugar em que se vive – , mas, se pouco vive isso e por inúmeros motivos. Um deles é o egoísmo.

Se faz arte pra quê? A arte, em si, é egoísta. Fazemos arte para satisfazer o que queremos dizer ao mundo, mas pouco se escuta. É preciso refletir sobre o nosso papel e o quanto ele pode impactar a vida das pessoas e de que forma isso é possível  e transformador dentro da própria arte. Como aquela pintura vai mexer no íntimo do meu espectador? Como a música chega aos ouvidos de quem não ouve nada? Como quem não vê vai enxergar  o que eu quero dizer? Questões para se refletir…

Mas, e agora, como organizar o meio exato da força? É preciso desligar o sensor dos sentidos e dos sentimentos? Não sei. Acredito que seja possível empreender no meio criativo, com base em alguns estudos, podendo assim nortear e sistematizar o caminho a ser seguido. Como se organizar financeiramente, em que investir no campo da arte e como desenvolver o potencial, atendendo ao seu público alvo, são áreas do meio empreendedorismo, mas que não devemos abrir mão se quisermos realmente ser donos do nosso caminho. Talvez não se tenha o “tino” para esse lado tão exato, porém, ele precisa ser desenvolvido, a duras penas, se for o caso.

Nem tudo são flores. Nem sempre elucubraremos 24 horas por dia. São necessários minutos, horas de planejamento e, talvez, um certo esforço nesse sentido, porque correr atrás de estrelas e imaginar universos é muito bonito, mas é incrível poder inspirar pessoas, através da realização dos nossos sonhos.

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