Colaboradoras #1: “O caminho mais difícil”, por Morgana da Silva Luz

Pra iniciar com tudo a nossa nova categoria (pra quem não sabe do que estamos falando, clique aqui), um texto pra lá de especial de uma mulher criativa que já passou por aqui antes. Convidamos a Morgana para escrever pra gente, e ela topou na hora. Cheia de histórias, ela fez um compilado das suas vivências, misturadas com um gostinho de incentivo. Se você ainda não viu, ou não lembra do bate-papo da Mor, clique aqui para ver.  Boa leitura! 


“O CAMINHO MAIS DIFÍCIL “, por Morgana da Silva Luz

Foto por Matt Duncan

Eu escolhi o caminho mais difícil. Mas, CAAAALMA AÍ!

Primeiro: é um prazer escrever para este blog e projeto que tanto admiro! Gurias, vocês são SHOW!

Segundo: sim, o mais difícil.

Eu tinha 19 anos quando ingressei na faculdade de Artes Visuais, muito pela vontade de cursar fotografia e por uma certa aptidão e gosto pelas artes de modo geral.  Mas eu não sabia ao certo o que ia acontecer ou por qual caminho seguir. O meu trabalho atual não era a realidade nem o sonho daquele momento. Enfim, segui.

Tive alguns empregos no comércio até que ingressei na licenciatura. AÍ SIM, eu teria uma profissão. Porque, eu não sei se vocês sabem, mas ARTISTA não é profissão (risos irônicos). Depois de longos 6 anos, me formei. Então, comecei a atuar em escola e até aí tudo certo. SÓ QUE NÃO.

O Otília e Cristina Atelier de Criação era uma realidade já, há alguns anos, mas AQUELE empurrãozinho sempre faltou. Sempre tinha algum apoio, algum projeto, algum estágio que me segurava “nas escuras” do atelier. Viver de criação, de modo geral, requer MUITA paciência. E persistência.

Foto por Joe Shillington

Cara, tu dá de cara no chão algumas muitas vezes…. Mas eu tinha tudo! Tinha um espaço, tinha o talento, tinha a vontade e apoio de todos os lados.

Mas vai dizer que não é tri ter dindim caindo na conta todo mês?

Não é, quando se tem instabilidade emocional.

Dito e feito. Larguei a escola e optei por viver  o meu sonho, da forma mais intensa possível! O meu sonho? Bem, viver do que eu amo fazer, talvez seja o meu sonho. As coisas mudam muito na minha mente, mas sempre com foco no trabalho que eu desenvolvo.

Escolhi uma linha de trabalho. Fiz meus planejamentos. Guardei grana. Investi em divulgação. E TCHARÃM! Cá estamos, trabalhando com uma equipe LINDA, reformulando ideias e realizando sonhos.

Atualmente, aluguei uma casa para o atelier e eu acho incrível pagar aluguel! hahaha Calma, eu explico: viver de arte, em um país que acha que cultura é balela, saúdeeducaçãoeoescambal são desnecessários e artista é tudo vagabundo, é complicado. Mas não é impossível.

Eu acredito muito no ser humano. Acredito muito nessa gente que tem colocado a cara a tapas. Nas coisas que tem acontecido na minha cidade e nos arredores. Nas pessoas que acreditam no meu trabalho. E no trabalho que eu desenvolvo para  o mundo.

É preciso ter um propósito. Produzir em massa já é coisa do passado, apesar dos pesares. O que eu faço, exatamente, envolve gente, envolve amor, envolve criação e envolve, sobretudo, uma preocupação imensa em passar todo o carinho e respeito que temos pelo planeta.

Escolher  o caminho mais difícil, portanto, é difícil! Cada ser humano é um universo, e nós sabemos onde apertam os nossos sapatos.

Largar TUDO as vezes não funciona. É necessário dosar as possibilidades, planejar com cuidado e acreditar. Algumas pessoas vão dizer que não dará certo, mas existirão outras que apoiarão. O bacana é escutar os dois lados e ter bom senso para medir os riscos. Pode dar tudo errado. Mas você foi lá e tentou! Tentar, na verdade, não. Você CONSEGUIU. O prosseguimento dos projetos vai muito do quanto você se apropriou do assunto em questão, e do quanto você está preparado para possíveis tombos. E eles vão acontecer. O negócio é acreditar, perseverar e , se preciso, agir com resiliência!


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