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Quando parei de tomar hormônio

Dois mil e dezessete foi um ano de muitas mudanças na minha vida, e uma delas foi o fato de ter parado de tomar hormônios para não engravidar. Em abril deste ano, decidi levar uma vida mais saudável, com o intuito de viver mais e melhor. Para isso, comecei a fazer exercícios físicos e melhorar minha alimentação.

Eu sempre fui daquelas pessoas que quando sentia uma leve pontada na cabeça, ou uma dor de estômago, já ia logo tomando diversos remédios para aliviar. Foi a partir dessa nova consciência, de uma vida mais leve e saudável, que comecei a me dar conta de nada adianta eu deixar de ser sedentária e começar a me alimentar melhor, se eu continuar ingerindo milhares de medicamentos toda vez que sentir alguma dor. Não estou dizendo que não devemos nos medicar, mas sim, que em determinadas situações, podemos ter outras opções além dos remédios. Tenho algumas doenças crônicas e os medicamentos para elas não posso abrir mão, mas é preciso sabedoria na hora de ingeri-los.

Freestocks

Foi por essas e outras, que decidi parar de tomar remédios por impulso, e então me dei conta que já tomava a pílula anticoncepcional havia nove anos! Fui para internet pesquisar sobre os efeitos desse tipo de remédio no organismo e fiquei preocupada, mas não foi o bastante para eu desistir de tomar. Precisei pesquisar relatos de mulheres que pararam, para então me convencer que eu realmente poderia utilizar outros meios para não engravidar, e notei como elas tinham somente elogios a respeito dessa atitude. Mais do que depressa, comecei a perceber como o meu corpo estava gritando por socorro, e eu não havia escutado. 

O começo não foi nada fácil. Como qualquer hábito que deixamos para trás, não estava mais acostumada a sentir os efeitos da menstruação no meu corpo, que antes eram abafados pelos remédios. Comecei a sentir mais cólicas, fluxos intensos e irregulares e, principalmente, a instabilidade no humor (agradecimentos ao meu namorado por ter me aguentado). Mas, ainda bem, depois de alguns meses tudo começou a normalizar (ou eu comecei a me acostumar). Notei também coisas que nem imaginava que passava antes, como por exemplo, como minha autoestima se encontrava baixa, a libido que não era grande coisa, e como tinha muita retenção de líquido durante alguns dias.

Shifaaz Shamoon

Analisando toda a mudança, tenho a sensação que eu não era verdadeiramente eu sob os efeitos do hormônio. Parece que antes, quando eu o usava, eu não me conhecia, mas hoje eu conheço cada período do mês que estou passando. Descobri como lidar com as minhas emoções, e aprendi a amar mais meu corpo e a pessoa que eu sou. Tenho total consciência que é muito difícil entender ou acreditar nesse relato (como disse antes, fui muito resistente até tomar minha decisão), mas posso dizer que essa foi uma das melhores decisões que já tomei na minha vida.

Não estou tentando “converter” ninguém, apenas acho que essa minha experiência é ótima para ser compartilhada. Existem mulheres com doenças que precisam utilizar o hormônio como tratamento. Mas, grande parte das mulheres apenas o toma para não engravidar e, infelizmente, em boa parte dos casos é obrigada pelo companheiro que – coitadinho – não quer usar preservativo. Com tanto acesso a informação como temos hoje, é imprescindível que passemos a pesquisar novas alternativas para nos prevenirmos, e mais, que estejamos sempre abertas a conversar com nossos companheiros(as) sobre qual a melhor forma de tomarmos essa decisão. Não cabe apenas a mulher, o peso e a decisão de arcar com algo que ela não é a única responsável. Se empodere e liberte-se!

Maranatha Pizarras

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