Pagu – Mulheres Criativas

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Mulheres Criativas #15: Glenda Brendler

Pagu – Mulheres Criativas: Glenda, como surgiu o processo de criar vasinhos de concreto e também a INQuietaria?  

No final de 2016, eu estava passando por dificuldades financeiras e queria presentear o meu namorado na época. Decidi fazer algo artesanal e especial, com as próprias mãos. Acredito que algo feito com amor possui muito mais significado do que algo comprado. Portanto, pesquisei várias referências e ideias para fazer o primeiro vasinho de concreto. Após aprimorar e adaptar o processo, de maneira a deixar o resultado cada vez melhor, comecei a receber incentivo dos meus amigos para vendê-los. Foi então que no dia 8 de Março deste ano, participei da primeira feira como empreendedora criativa, vendendo meus produtos. Portanto, considero essa a data oficial do início da INQuietaria.

Pagu – Mulheres Criativas: Você comentou que a INQuietaria mudou a sua vida. Como foi esse processo? Pode nos contar mais detalhes? 

Conforme comentei, na época eu estava passando por dificuldades financeiras. Havia perdido o emprego, precisei trancar a faculdade e parecia que tudo ao meu redor estava desmoronando. O concreto começou a mudar a minha vida. Aos poucos, comecei a fazer e vender mais vasinhos e vi ali um possível recomeço. Usei o dinheiro que havia ganhado de um trabalho anterior, para comprar moldes e materiais. E, aos poucos, tudo foi se encaixando e comecei a me sentir útil novamente.

Pagu – Mulheres Criativas: E agora você está prestes a se formar, né? Você pretende seguir com a arquitetura, além da INQuietaria?

Sim, estou terminando agora a faculdade de Arquitetura. Foi uma batalha, pois precisei o trancar o curso e agora consegui continuar. Inclusive, estou vendendo uma rifa, cujo prêmio é um vaso exclusivo da INQuietaria, pois preciso arrecadar dinheiro para as impressões e plotagens. É um investimento muito alto! Atualmente também trabalho em um escritório de arquitetura, em Porto Alegre, RS. Pretendo, sim, continuar com a arquitetura também. Amo o que faço! E apesar de ser super difícil conciliar a vida de arquiteta, artesã e acadêmica, esse é um caminho que pretendo levar adiante.

Pagu – Mulheres Criativas: E você sempre quis ser arquiteta? Como você decidiu a profissão que gostaria de ter?

Meus pais se separaram quando eu tinha 11 anos. Portanto, aprendi a me virar desde pequena. Sempre achei que precisaria me sustentar desde muito nova. Então, seria importante escolher uma profissão que fosse conhecida e me desse sustento. Na adolescência, fiz curso técnico de Mecânica (uma das poucas mulheres no curso). Após isso, comecei a cursar Engenharia de Produção na faculdade. Logo após, decidi mudar para Arquitetura, pois achei que tinha muito mais a ver comigo. Adoro desenhos técnicos. Acho que puxei ao meu pai nesse aspecto, ele desenha muito.

Pagu – Mulheres Criativas: Falando em família, rola apoio em casa? Por você ser empreendedora criativa e fazer os vasinhos?

Meu pai é meu fã número um! Ele me dá total apoio e gosta muito do que eu faço. Meus amigos também, estão sempre me incentivando a participar de feirinhas. Inclusive, há pouco tempo recebi o convite de umas amigas para participar de uma loja colaborativa que elas criaram. O nome é Aloja e fique em Porto Alegre (para quem quiser conhecer). Lá, tem trabalhos de diversas "nanoempresas" criativas, é muito legal!

Pagu – Mulheres Criativas: E como funciona o processo de criação de um vaso de concreto? 

Eu pesquiso muitas ideias no Pinterest e na internet em geral. Também fiz um cursinho para ter mais noções de como trabalhar com os vasinhos. O processo é bem lento e é necessária muita paciência. Leva em torno de 15 dias para ficarem prontos. Porém, vale a pena esperar! Eles são super resistentes, possuem um excelente acabamento e, além do mais, a INQuietaria é a primeira empresa de Porto Alegre a trabalhar com o concreto já colorido (que é diferente de tingi-lo depois de pronto). No início, foram necessários diversos testes, até encontrar a maneira ideal para fazê-los.

Pagu – Mulheres Criativas: E além da loja colaborativa, como você vende seu trabalho? Onde você faz toda a criação e montagem?

Os vasos são todos feitos em minha casa, mesmo. E, além de vender meus produtos na Aloja, também vendo por encomendas. Abri a empresa oficialmente em outubro, com CNPJ e tudo. Agora, a INQuietaria é realmente uma empresa! Ah, e também estou trabalhando atualmente com a Júpiter, onde trabalho com design gráfico e desenvolvimento de marcas, que é algo que sempre tive afinidade.

Pagu – Mulheres Criativas: Falando um pouco sobre mulher e feminismo, assunto que a gente aborda bastante aqui no Pagu: Você se considera uma pessoa feminista?

Eu cresci em um lar machista. Minha mãe é super machista e sempre tratou o meu irmão diferente de mim. Então, durante a infância, achei que isso fosse correto, até perceber que não. Atualmente, sempre que posso, falo sobre feminismo com as minhas amigas e trocamos ideias sobre o assunto. Acho muito importante termos esse tipo de troca!

Pagu – Mulheres Criativas: E você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher que queira nos relatar?

Nunca sofri preconceito na arquitetura ou na minha empresa. Sempre fui super bem recebida e tratada. Porém, no curso de Mecânica, sofria muito por ser uma das poucas mulheres. Já ouvi de professores coisas como "aperta esse parafuso como homem", ou então de colegas "se tu fosse mais arrumadinha, daria até pra pensar em te namorar". Absurdos, né? Mas na época, eu não levava a sério por não saber que isso era errado. Com o tempo fui aprendendo a lidar com tudo isso, e mais, me respeitar. Posso dizer que hoje (esse último ano especialmente) foi completamente renovador pra mim, e estou cada vez mais sabendo lidar melhor com este tipo de situação.

Pagu – Mulheres Criativas: E  para finalizar, você tem algum recado que queira deixar para outras mulheres que queiram seguir o mesmo caminho que você? 

Sim! O que eu digo é: Siga sempre o seu instinto! Faça o que ama acima de tudo, sempre que possível, isso é essencial. Acredite em seu potencial, no seu sonho e aprenda a se respeitar, sempre! 💜

E aí, gostou do bate-papo com a Glenda e quer conhecer mais sobre a INQuietaria? Então vem segui-la:

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Mulheres Criativas #14: Kaiane Esteves de Almeida
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Mulheres Criativas #12: O Amor é Simples

Qual será o futuro dele?

“Não tenho nada contra, só não aceitaria se meu filho fosse gay”, ouvi a advogada dizer enquanto alongávamos na academia depois do treino. O assunto era o personagem transexual, Ivan, da novela “A Força do Querer”. Fiquei sem reação, o que, infelizmente, é o que acontece quando me deparo com situações que conflitam com os meus valores. A única coisa que consegui pensar foi: “e se teu filho fosse gay?” e me arrependo de não ter perguntado.

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Esse comentário não sai da minha cabeça. Fico triste em pensar no que ela faria se o filho fosse gay. Iria amá-lo menos? Expulsar de casa? Tentar a cura gay? Não consigo entender porque a orientação sexual de um filho que, diga-se de passagem, nem foi concebido ainda, é tão importante para algumas pessoas. Infelizmente isso não acontece somente com orientação sexual, outro exemplo são aqueles pais que sonham que o filho seja médico e só pagarão a faculdade se for de medicina. Pais, tenho “novidades” para vocês: talvez teu filho queira ser músico ou até mesmo ter um quiosque na beira da praia, mas a última coisa que quer é ser médico. Façam valer aquilo que diziam desde que ele estava a caminho: “a tua felicidade é o que mais importa”.

Unsplash

Fico ainda mais triste em perceber que histórias infelizes de pessoas sendo expulsas de casa, espancadas nas ruas ou cometendo suicídio ainda estão longe de chegar ao fim. O primeiro passo para um mundo melhor é o amor, o respeito e a empatia.

Um conselho de uma pessoa que não tem filhos, mas que tem pais maravilhosos: apóia o teu filho, te preocupa com os valores que serão passados para ele. Depois isso, vocês podem ficar com a consciência tranquila já que estarão deixando uma pessoa boa para o mundo.

Sobre nossos medos e fraquezas
A palavra da vez é: consistência!
É verdade, o tempo voa

Mulheres Criativas #14: Kaiane Esteves de Almeida

Pagu – Mulheres Criativas: Kaiane, conta pra gente, como você se interessou pelo mundo das artes e da maquiagem? 

Eu cresci numa casa com muitos adultos e meus pais já trabalhavam na área. Eles tinham um salão que fazia maquiagem e cabelo, e também atendiam em eventos como festas de 15 anos, desfiles de moda, etc. Então, aos 12 anos de idade eu já ajudava em casa e no salão. Além disso, meu pai também era músico. Tenho algumas memórias desde muito nova de frequentar bares e eventos onde ele se apresentava. Eu cresci numa casa com muitos homens, cuidava dos meus dois irmãos mais novos, e posso dizer que tive uma criação muito livre, questionadora, criativa, com estímulo para as artes e introvertida.

Pagu – Mulheres Criativas: Quando foi que nasceu essa sua vontade de seguir os seus pais na profissão de maquiadora? 

É curioso porque na minha adolescência eu não queria seguir a mesma profissão que eles. Por já ter crescido nesse meio, eu já sabia dos seus altos e baixos, e por isso mesmo, eu queria fugir dele. Então, aos 18 anos, resolvi prestar vestibular para o curso de Publicidade e Propaganda, justamente para seguir um caminho diferente. Mas, algumas coisas meio desagradáveis aconteceram nesse tempo, e eu acabei desistindo. Devido a minha experiência em salão, comecei aos poucos a arrumar empregos na área e a gostar novamente desse mundo. Nessa mesma época, também conheci um cara incrível chamado Magnus que foi meu colega em um salão que trabalhei. Foi ele que me ofereceu emprego no salão que trabalho hoje, o Beto Klein em Novo Hamburgo/RS.

Pagu – Mulheres Criativas: Atualmente, você trabalha como exatamente? E de que maneira? 

Atualmente, minha rotina é bem variada. Tenho uma empresa própria e presto serviços tanto para o salão Beto Klein, e também para eventos, tanto de empresas quanto particulares.

Pagu – Mulheres Criativas: Como foi essa transição de um emprego fixo para se tornar uma empreendedora criativa? 

Como eu comecei a trabalhar na área desde muita nova, acumulei bastante experiência ao longo dos tempos. O Beto Klein, dono do salão onde trabalho, foi um dos grandes responsáveis por sempre me estimular a ir mais longe. Assim também, como outros amigos queridos, e também o meu namorado, o Wesley. Posso dizer que a vontade de trabalhar por conta própria, veio quando ministrei aulas para o SENAC. Foi a partir dali que comecei a entender que eu poderia ser uma empresa também. Nessa mesma época, nasceu também a vontade de ter um blog.

Pagu – Mulheres Criativas: Nos conte um pouco mais sobre o seu blog, e a sua produção de conteúdo digital. 

O meu blog é o Nancy Violet (link abaixo), e no momento ele está um pouco em off. Também tenho um canal no Youtube, onde posto vídeos sobre maquiagem, cabelo, e coisas do meu dia a dia em geral. Nesse meio digital, sinto que ainda estou tentando encontrar a minha voz. Como é uma área bastante saturada, gostaria de fazer algo diferente, mas não sei exatamente o que ainda. Recentemente, comecei a minha graduação em Artes Visuais também, então, estou deixando os caminhos em aberto. 🙂

Pagu – Mulheres Criativas: Como você se inspira atualmente? Tanto na sua vida pessoal, quanto no seu trabalho? 

Minha inspiração vem das pessoas como um todo. Gosto de conversar com elas, trocar informações e novidades. Utilizo bastante as redes sociais para isso. Gosto de seguir tanto pessoas grandes, com muitos seguidores, quanto pessoas menores. Minhas inspirações pessoais e de trabalho são todas misturadas mesmo, e gosto disso, não tenho nenhuma separação.

Pagu – Mulheres Criativas: Você se considera uma pessoa feminista? 

Com certeza! Estou sempre acompanhando novidades do movimento e vejo como as meninas sofrem desde jovens com diversos preconceitos. Eu já passei por situações ao longo da vida. São micro-machismos acontecendo a todo momento, que as vezes é até difícil identificá-los.

Pagu – Mulheres Criativas: Você já sofreu algum tipo de preconceito que queira nos relatar? 

Sim, sofri. Na época em que prestei vestibular para Publicidade e Propaganda, eu trabalhava como assistente em um salão e fui assediada pelo meu chefe da época. Foi muito desagradável. Foi essa situação que me fez desistir de muitas coisas naquele período. Mas, graças a pessoas super queridas, eu consegui sair daquela situação. Além disso, sou uma mulher tatuada, com opinião e que se impõem, sempre questionadora, então imaginem como sou julgada, até mesmo quando vou na padaria comprar pão (risos).

Pagu – Mulheres Criativas:  Na sua opinião e com base nas suas vivências, qual ou quais os principais problemas enfrentados pelas mulheres hoje? 

Percebo principalmente como as mulheres têm pudores, especialmente em relação ao sexo. Aprendi a falar sobre isso com os meus amigos gays, porque com as amigas mulheres é sempre mais complicado.  Com a maioria dos gays é algo tão natural. O sexo é um grande tabu na nossa sociedade, ainda hoje. As pessoas precisam parar de sexualizar tudo a todo momento. 

Pagu – Mulheres Criativas: Para finalizar, gostaria de deixar algum recado ou falar mais alguma coisa? 

Acho que estamos vivendo um momento tenso na nossa sociedade hoje, e cada vez mais vamos precisar ser fortes, principalmente, as pessoas que trabalham com arte e criatividade. As vezes nós temos que ser as nossas próprias ferramentas para mudar as coisas. Todos nós somos micro-artistas e podemos causar mudanças significativas na vida das pessoas, só depende da gente realmente se comprometer e querer! 💜

Bora seguir a Kaiane nas redes sociais? 🙂 Chega mais!

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